Gestão pública não se aprende só nos livros — se aprende no chão da cidade, resolvendo problemas concretos com recursos limitados. Foi em Capão da Canoa, no Litoral Norte, que vivi minha escola mais importante de turismo. Ali, à frente das secretarias de Turismo e Desenvolvimento Econômico e de Gestão, Inovação e Planejamento, aprendi lições que carrego, hoje, para toda a gestão estadual.
Resumo rápido
Em Capão da Canoa, atuei na revitalização da orla, na estruturação do parque náutico da Lagoa dos Quadros e na implantação de um escritório de gestão integrada. Três frentes que ensinam o mesmo princípio: turismo de verdade exige infraestrutura, planejamento e execução cobrada de perto.
Revitalizar a orla: o cartão de visitas
A orla é o rosto de uma cidade de praia. É onde o turista passeia, onde a família se encontra e onde o comércio respira. Investir na revitalização da orla não é embelezamento: é criar o palco onde a economia do turismo acontece. Uma orla cuidada valoriza o entorno, atrai investimento privado e melhora a experiência de quem visita — o que se traduz, no fim, em mais dias de permanência e mais gasto na cidade.
Parque náutico: transformar um ativo natural em destino
A Lagoa dos Quadros sempre foi um patrimônio natural do Litoral Norte. Estruturar um parque náutico ali foi um exercício de olhar para um ativo que já existia e perguntar: como transformá-lo em experiência turística? Essa é uma das disciplinas centrais do turismo — enxergar potencial onde outros veem apenas paisagem e dar a ele a estrutura para virar destino. É a mesma lógica que aplico hoje ao pensar nas regiões emergentes do Estado.
Um bom gestor de turismo é, antes de tudo, alguém que enxerga destino onde ainda há só potencial — e tem a disciplina de estruturá-lo.
Escritório de gestão integrada: a disciplina da execução
Talvez a lição mais valiosa não tenha sido uma obra, e sim um método. A implantação de um escritório de gestão integrada trouxe para a prefeitura algo simples e transformador: acompanhar metas e projetos de forma coordenada, cobrando resultados e garantindo que as ações saíssem do papel.
No serviço público, a distância entre anunciar e entregar é o maior inimigo. Um escritório de gestão existe justamente para encurtar essa distância — integrando áreas, medindo o progresso e responsabilizando cada frente pela sua entrega. É gestão com foco em resultado, não em intenção.
Do município ao Estado: os mesmos princípios, outra escala
O que muda ao sair de uma cidade para o Estado inteiro é a escala — não os princípios. Planejar antes de executar, integrar as áreas de governo, investir em infraestrutura turística e cobrar a entrega valem tanto para uma orla quanto para uma temporada de inverno inteira ou para o plano de internacionalização do turismo gaúcho.
É por isso que faço questão de dizer que minha visão de turismo não nasceu num gabinete em Porto Alegre. Ela nasceu no Litoral Norte, resolvendo problemas reais de uma cidade que vive do turismo. Essa origem me mantém com os pés no chão — e com atenção permanente a quem, na ponta, empreende no setor.
Perguntas frequentes
Qual foi a atuação de Raphael Ayub em Capão da Canoa?
Foi secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico e de Gestão, Inovação e Planejamento, atuando na revitalização da orla, na estruturação do parque náutico da Lagoa dos Quadros e na implantação de um escritório de gestão integrada.
O que é um escritório de gestão integrada?
É uma estrutura que acompanha metas e projetos de forma coordenada entre as áreas do governo, cobrando resultados e garantindo que as ações sejam concluídas.
Como a experiência municipal se aplica ao Estado?
Os mesmos princípios — planejar, integrar áreas, investir em infraestrutura e cobrar execução — orientam a gestão estadual do turismo, agora em escala ampliada para todas as regiões do RS.
Por que revitalizar a orla é uma ação de turismo?
Porque a orla é o espaço onde a economia do turismo acontece: passeio, comércio e convívio. Cuidar dela valoriza o entorno, atrai investimento e melhora a experiência do visitante.
Gestão com os pés no chão e olho no resultado
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