Passei boa parte da minha vida no setor privado, cofundando e ajudando a construir empresas. Essa vivência me ensinou uma coisa que carrego para a gestão pública: política de turismo, bem feita, é política de apoio a quem empreende. Não existe destino forte sem uma base sólida de pequenos e médios negócios prosperando. E é sobre esse elo — turismo e empreendedorismo — que quero falar aqui.
Resumo rápido
A cadeia do turismo é feita, em grande parte, de pequenos e médios negócios. Cada turista que chega movimenta hospedagem, alimentação, transporte, passeios e comércio — um efeito multiplicador que gera emprego e renda. Investir em turismo é, portanto, investir em quem empreende no Estado.
O turista chega — e uma cadeia inteira se move
Pense no roteiro de uma única família em viagem pela Serra. Ela se hospeda numa pousada, come em três ou quatro restaurantes diferentes, visita uma vinícola, contrata um passeio, anda de táxi ou aplicativo, compra lembranças e um vinho para levar. Um único grupo, em poucos dias, irriga dezenas de negócios distintos — e a imensa maioria deles é de pequeno e médio porte, tocada por famílias e empreendedores locais.
É esse o poder do turismo: ele não concentra riqueza em uma única empresa. Ele espalha. Cada real gasto pelo visitante passa por muitas mãos antes de repousar — e, em cada passagem, sustenta um emprego.
O efeito multiplicador na prática
Quando o RS cresce 11,4% no turismo, esse crescimento não é uma abstração estatística. Ele significa mais reservas para a pousada da família, mais mesas ocupadas no restaurante, mais passeios vendidos pelo guia autônomo. É PIB que se transforma em renda no bolso de gente real.
Cada turista que chega ao Estado é um cliente para centenas de pequenos negócios. Cuidar do turismo é cuidar de quem empreende.
O papel do poder público
Se o empreendedor é o protagonista, qual é o papel do Estado? Três, principalmente:
- Trazer o fluxo: promover os destinos e cuidar do acesso, como a malha aérea, para que o cliente chegue.
- Dar previsibilidade: um calendário claro — como a Temporada de Inverno estruturada — permite que o empreendedor planeje contratações, estoques e investimentos com segurança.
- Qualificar quem empreende: em parceria com instituições como o Sebrae, preparar os pequenos negócios para atender bem, precificar corretamente e crescer.
Não à toa, a nossa estratégia de internacionalização foi construída junto com o Sebrae RS. Atrair o turista e preparar o negócio para recebê-lo são dois lados da mesma moeda.
A visão de quem já empreendeu
Trago para a Setur a mentalidade de quem conhece a rotina de um negócio por dentro: a importância do fluxo de caixa, o peso da previsibilidade, o valor de uma boa parceria. Gestão pública de turismo não pode ser feita de costas para quem investe. Pelo contrário — ela precisa enxergar o Estado como um parceiro do empreendedor, removendo entraves e abrindo mercado.
Empreender exige ambiente
O melhor empreendedor do mundo depende de condições para prosperar: acesso, demanda, crédito e qualificação. O trabalho da gestão é cuidar do ambiente para que o talento e o esforço de quem empreende encontrem terreno fértil — e não obstáculos.
Perguntas frequentes
Por que turismo e empreendedorismo estão ligados?
Porque a cadeia do turismo é formada, em sua maior parte, por pequenos e médios negócios: pousadas, restaurantes, guias, agências, transporte e comércio. Cada turista movimenta dezenas desses empreendimentos.
Como o turismo gera emprego e renda?
O gasto do turista se distribui por uma ampla cadeia de serviços, com efeito multiplicador: hospedagem, alimentação, transporte, passeios e compras. Cada elo emprega pessoas e movimenta a economia local.
Qual o papel do poder público?
Atrair fluxo com promoção e infraestrutura, dar previsibilidade ao calendário e qualificar os pequenos negócios em parceria com instituições como o Sebrae.
Por que a experiência no setor privado importa na gestão?
Porque quem já empreendeu conhece a rotina real de um negócio e tende a construir políticas que funcionam como parceria com o empreendedor, e não como obstáculo.
Turismo que gera negócio e oportunidade
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