Muita gente ainda trata turismo como lazer, um gasto secundário que vem depois de comida, moradia e transporte na lista de prioridades de qualquer governo.
Essa visão ignora o tamanho real da economia do turismo. Não é um setor pequeno tentando aparecer, é um dos maiores geradores de emprego do país, com dados que comprovam isso todo ano.
O impacto econômico do turismo aparece em números concretos, não em discurso motivacional sobre viagens.
Como secretário de Turismo do Rio Grande do Sul e antes disso empresário, acompanho de perto os dados do turismo, e é sobre esses números, e sobre o porquê deles importarem, que quero falar aqui.
O que é a economia do turismo?
Economia do turismo é o campo que estuda como viagens, hospedagem, gastronomia, transporte e lazer geram renda, emprego e movimento econômico em uma região.
O próprio Ministério do Turismo mantém, em parceria com o IBGE e o IPEA, uma linha permanente de estudos sobre a economia do turismo, cobrindo análise macroeconômica do setor, meios de hospedagem e emprego.
Não é um campo teórico distante da realidade. Envolve o dado mais concreto que existe, quantas pessoas trabalham, quanto se gasta e quanto isso retorna para o território.
Diferente de outros setores, a economia do turismo tem uma característica rara. Ela distribui renda por cadeias longas, em vez de concentrar em poucas empresas grandes.
Como a economia do turismo se movimenta, o efeito multiplicador
Um único turista não gasta dinheiro em um único lugar. Ele hospeda, come, se transporta, passeia e compra lembranças, e cada uma dessas etapas sustenta um negócio diferente.
Esse é o efeito multiplicador do turismo, cada real gasto pelo visitante passa por várias mãos antes de se esgotar na economia local, sustentando pequenos e médios negócios ao longo do caminho.
Isso muda a forma de olhar para investimento em turismo. Não é gasto com lazer, é investimento em uma cadeia inteira de pequenos empreendedores.
Hospedagem, alimentação e transporte costumam concentrar a maior parte desse efeito, mas comércio local e artesanato também entram nessa conta.
Quanto a economia do turismo gera de empregos no Brasil?
Os números de 2025 mostram a escala real dessa cadeia.
Entre janeiro e outubro de 2025, o turismo brasileiro registrou 1.535.894 admissões formais, com saldo positivo de 90.506 novos postos de trabalho, segundo dados do Novo Caged analisados pelo Ministério do Turismo.
Com esse ritmo, o estoque total de trabalhadores formais do setor chegou a 2.418.057 pessoas em outubro, o equivalente a 4,9% de todos os empregos formais do país.
Não é um número isolado. É praticamente 1 em cada 20 empregos formais do Brasil ligado direta ou indiretamente ao turismo.
Qual a posição do Brasil no ranking mundial de turismo?
Os dados do turismo também colocam o Brasil em posição de destaque global, não só doméstica.
Em 2025, o turismo brasileiro atingiu 8,2 milhões de empregos, equivalente a 7,9% de todas as vagas do país, o maior número já registrado pelo setor, superando inclusive o pico pré-pandemia de 2019, quando o turismo empregava 7,7 milhões de pessoas.
Esse resultado colocou o Brasil na 7ª posição mundial em geração de empregos no turismo naquele ano, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos, Indonésia, Filipinas e Tailândia, segundo o relatório Travel & Tourism Economic Impact 2025, do World Travel & Tourism Council.
Esses dados do turismo mudam a forma como investidores e gestores públicos devem tratar o setor. Não é nicho, é infraestrutura econômica.
Os dados do turismo no Rio Grande do Sul
A economia do turismo também tem uma versão estadual, e o Rio Grande do Sul teve um ano de referência em 2025.
O Estado cresceu 11,4% no turismo em 2025, mais que o dobro da média nacional de 4,6%, e ultrapassou 1,5 milhão de turistas internacionais no ano.
Esse resultado não veio de um único fator isolado. Veio de recuperação de malha aérea, mais de R$60 milhões investidos em ações promocionais e capacitação do trade turístico.
Os dados do turismo no Rio Grande do Sul confirmam algo que já defendo há tempos, resultado de turismo se planeja, não se decreta.
Por que o impacto econômico do turismo vai além do PIB?
Reduzir o impacto econômico do turismo a um número de PIB é subestimar o que ele representa.
O turismo gera emprego em regiões onde poucas outras atividades conseguem gerar, especialmente em municípios pequenos sem parque industrial relevante.
Também retém jovens no interior, porque cria oportunidade de trabalho qualificado sem exigir migração para grandes centros.
É por isso que o impacto econômico do turismo costuma ser medido também em indicadores sociais, como geração de emprego formal fora dos grandes eixos urbanos, não apenas em movimentação financeira.
Um destino turístico forte não beneficia só quem vende passagem ou diária de hotel. Beneficia o pequeno produtor, o artesão e o motorista de aplicativo da cidade vizinha.
O impacto econômico do turismo também aparece na renda de pequenos produtores rurais que passam a vender direto ao visitante, dentro da cadeia mais ampla do turismo no interior do Estado.
Aparece ainda na conservação de patrimônio histórico e natural, que passa a ter manutenção custeada por quem visita, e não só pelo orçamento público.
E aparece na arrecadação municipal, via impostos sobre hospedagem e alimentação, receita que sustenta serviços públicos em cidades que vivem quase só de turismo.
Esse impacto econômico do turismo distribuído é o que separa um destino bem gerido de um destino que só recebe visita por sorte geográfica.
Medir esse impacto econômico do turismo exige olhar a série completa de indicadores, não só o número de visitantes do último feriado.
Quais dados do turismo todo gestor deveria acompanhar?
Acompanhar a economia do turismo de forma séria exige olhar além do número de turistas que chegam em um fim de semana.
Alguns dados do turismo funcionam como termômetro real da saúde do setor, tanto para gestores públicos quanto para quem investe no trade turístico.
Entre os indicadores mais relevantes estão:
Taxa de crescimento do turismo ano a ano, comparada à média nacional
Número de turistas internacionais, que costumam gastar mais e ficar mais tempo
Geração de empregos formais no setor, medida por dados oficiais como o Caged
Investimento em promoção e infraestrutura turística
Taxa de ocupação hoteleira em datas de alta e baixa temporada
Esses dados do turismo, olhados em conjunto, contam uma história mais completa do que qualquer número isolado de PIB.
Um Estado pode crescer em número de visitantes e ainda perder força econômica, se esse crescimento não vier acompanhado de emprego formal e investimento continuado.
Por isso bons gestores acompanham a série completa de dados do turismo, não apenas o indicador mais fácil de anunciar em uma coletiva de imprensa.
A estratégia da Secretaria de Turismo do RS para atrair investimento internacional
Como secretário de Turismo, trato a economia do turismo como política de desenvolvimento, não apenas como promoção de destino.
Estruturamos, junto à Invest RS e ao Sebrae RS, um Plano Tático Internacional voltado a atrair investidores e visitantes estrangeiros para o Rio Grande do Sul, com metas de mercado e presença em feiras internacionais.
A lógica é direta, quanto mais o Estado atrai investimento e visitante estrangeiro, mais essa cadeia de pequenos negócios que já expliquei se fortalece.
É também uma forma de ampliar o impacto econômico do turismo para além da alta temporada, atraindo capital que gera emprego o ano inteiro, não só nos meses de pico.
Conheça o Plano Tático Internacional completo
Conclusão
A economia do turismo não é um discurso de otimismo sobre viagens. É um setor com dados concretos, empregos reais e efeito distribuído por toda a cadeia produtiva.
Do Brasil ao Rio Grande do Sul, o impacto econômico do turismo aparece nos mesmos lugares, emprego formal, renda distribuída e desenvolvimento regional.
Quem trata turismo como política econômica séria colhe resultado mensurável, não sorte de temporada.
Continue acompanhando o blog do Raphael Ayub para acompanhar novos dados do turismo e os próximos passos dessa estratégia no Rio Grande do Sul.
Perguntas frequentes sobre economia do turismo
O que estuda a economia do turismo?
Estuda como viagens, hospedagem, gastronomia e transporte geram renda, emprego e movimento econômico em uma região, com foco no efeito multiplicador da cadeia.
Quantos empregos o turismo gera no Brasil?
Entre janeiro e outubro de 2025, o setor teve 1.535.894 admissões formais, chegando a um estoque de 2.418.057 trabalhadores formais, 4,9% de todos os empregos formais do país.
Qual a posição do Brasil no turismo mundial?
Em 2025, o Brasil ocupou a 7ª posição mundial em geração de empregos no turismo, segundo a WTTC, com 8,2 milhões de vagas no setor naquele ano.
Como o Rio Grande do Sul se saiu na economia do turismo em 2025?
O Estado cresceu 11,4% no turismo, mais que o dobro da média nacional, e superou 1,5 milhão de turistas internacionais no ano.
Por que o impacto econômico do turismo importa para pequenas cidades?
Porque gera emprego formal fora dos grandes eixos urbanos, distribuindo renda para produtores, artesãos e pequenos negócios que dependem do fluxo de visitantes.
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